Helicoverpa impulsiona demanda por controle biológico
Praga reforça uso de novas tecnologias
Foto: Divulgação
A pressão da Helicoverpa sobre lavouras brasileiras tem desafiado o modelo tradicional de controle, em um cenário de recorrentes reinfestações. Com capacidade de migrar até 200 quilômetros e atingir mais de 100 culturas, a praga mantém risco constante, enquanto os inseticidas químicos apresentam efeito limitado ao longo do tempo.
Na prática, produtores relatam que o controle realizado em campo tem duração reduzida. Fatores como luz, chuva e temperatura aceleram a degradação dos produtos, diminuindo o período de proteção e permitindo o retorno da praga poucos dias após a aplicação.
Diante desse contexto, cresce a adoção do controle biológico, com destaque para o uso de baculovírus. A tecnologia Destroyer, desenvolvida pela Life Biological Control, tem ampliado presença no campo ao atuar de forma contínua no manejo da praga.
“O químico resolve o que está presente no momento da aplicação, mas perde efeito rapidamente. Já o biológico continua atuando na área e protege contra novas infestações”, afirma Cristiane Tibola, doutora em Entomologia pela ESALQ/USP e pesquisadora na área de soluções biológicas.
Segundo a especialista, a adoção da tecnologia tem avançado entre os produtores. “A demanda cresceu de forma muito acelerada. Apenas entre janeiro e fevereiro de 2026, já produzimos mais de 200% de todo o volume registrado ao longo de 2025, acompanhando a forte adoção do biológico no campo”, afirma.
Ela explica que o diferencial do baculovírus está no modo de ação. Após ser ingerido, o agente se multiplica dentro da lagarta e libera novas partículas infecciosas, mantendo o controle ativo por semanas. “O produtor aplica uma vez e a tecnologia segue trabalhando na área, atingindo novas lagartas que chegam por migração”, destaca.
Além da ação prolongada, o controle biológico não gera resistência, por atuar como inimigo natural da praga. A tecnologia apresenta 85% de eficácia em validações conduzidas pela Fundação Rio Verde. A recomendação técnica é realizar a aplicação em lagartas jovens e no final da tarde, estratégia que pode ampliar o desempenho do controle e prolongar o período de proteção nas lavouras.